quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Alguns dos Prémios Nobel pela defesa dos Direitos Humanos


Após ter-se comprometido durante os anos 30 no combate ao nazismo, tentando defender um prisioneiro de consciência (como Karl von Ossietsky), o Comité Nobel do Parlamento da Noruega reforçou a sua propensão para se tornar numa arma de combate no domínio da consciência internacional na luta pelos Direitos do Homem. A frente de batalha seguinte foi aberta a Leste e teve início em 1958, com a atribuição do galardão da Literatura a Boris Pasternak (1890-1960). O escritor revelou-se maravilhado com a distinção, mas, depois, resignou, devido às pressões das autoridades soviéticas. Só em 1989 foi possível repor a "legalidade" quando o seu filho recebeu o Nobel, a título póstumo. Mais recentemente, Alexandre Soljenitsyne, na Literatura, em 1970, e Andrei Sakharov, na Paz, em 1985, simbolizaram uma orientação que privilegiava a contestação à linha oficial soviética. Entretanto apontaram-se baterias para outras ditaduras que reprimem o seu povo ou que negam a independência a outros povos. O primeiro laureado nesse campo foi o argentino Adolfo Perez Esquivei, que combatia a ditadura militar no seu país. O prémio da Paz coube-lhe em 1980. Ainda na América Latina, foi distinguida em 1992 (um ano repleto de simbolismo pois comemoravam-se os 500 anos da descoberta da América) a índia guatemalteca Rigoberta Menchu, pretendendo-se, assim, denunciar séculos de extermínio das populações indígenas. Três anos antes, foi a vez do Dalai Lama denunciar outra das grandes chagas da actualidade, a ocupação do Tibete e a repressão do seu povo pela República Popular da China. Em 1991, a grave situação que se vive Birmânia, onde os militares impõe uma ditadura terrível, levou à escolha da maior constestatária do regime, Aung San Suu Kyi, líder do principal movimento de oposição. Timor-Leste teve o seu momento em 1996, quando o bispo Ximenes Belo e Ramos Horta, dois opositores à ocupação indonésia, Foram galardoados. A partir desse momento, o drama dos timorenses ganhou exposição internacional e a independência tornou-se possível.

Fonte: A Herança de Nobel, Público

Sem comentários:

Enviar um comentário